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Para nunca esquecermos: a historia de Ruby Bridges

PARA NÃO ESQUECER | 15/08/2019 | 14:49 |
Bridges escoltada pelos delegados federais até a Escola Elementar William Frantz | Fotos: Por Uncredited DOJ photographer - Via [1], Domínio públi |
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A história se repete como farsa, disse um pensador. E o que seria do mundo se não existissem aqueles que ousaram quebrar as barreiras que os demais julgavam intransponíveis.

Há coisas que não devemos esquecer. Elas precisam estar lá para que olhemos envergonhados. Para que não venhamos a cometer os mesmos erros. E é o papel da história não deixar que a memoria se perca, para que os erros sirvam de lição e reste o exemplo daqueles que ousaram conquistar o impossível.

Em tempos onde discursos de ódio reverberam pelo mundo e pela voz de autoridades democraticamente instituídas, é preciso relembrar o passado. Um amigo me lembrou de uma vida. Eu a conto a história para que não esqueçamos.

Em 1960 uma criança chamada Ruby Nell Bridges Hall, mais conhecida como Ruby Bridges, de seis anos de idade, se tornou a primeira criança negra autorizada a estudar em uma escola primária exclusiva para pessoas de cor branca, na Louisiana, sul dos EUA, região que insistia em não respeitar a lei pelo fim da segregação racial. 

Ruby Bridges era apenas uma das cinco crianças negras que passaram no teste para determinar quais crianças seriam enviadas para as escolas dos “brancos”. O teste foi criado para impedir as crianças negras de conquistarem uma vaga. Mas Ruby se destacou intelectualmente e, por isso, a Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor procurou os Bridges para que Ruby fosse uma das primeiras crianças negras a estudar numa tradicional escola de brancos. Ruby foi a única a ingressar na William Frantz. Seu pai estava inicialmente relutante, mas sua mãe sentia que era necessária a mudança não só para dar sua própria filha uma educação melhor, mas para "dar este passo à frente... para todas as crianças afro-americanas." Sua mãe finalmente convenceu o pai a deixá-la ir para a escola.

Não é possível continuar o texto sem confessar que esta história me leva as lagrimas.

Ruby Bridges era apenas uma criança de seis anos.

Apenas uma criança, como os nossos filhos.

Ia sozinha para a escola e sofria ameaças tão diretas que o Presidente Eisenhower, destacou escolta policial dos U.S Marshals para protegê-la. O ex-vice-diretor dos U.S. MarhalsCharles Burks, recordou mais tarde: "Ela mostrou muita coragem. Ela nunca chorou. Ela não choramingou. Ela só marchava como um pequeno soldado, e nós estamos todos muito, muito orgulhosos dela."

O caminho para escola no seu primeiro dia de aula foi marcado por protestos ruidosos de donas de casa e adolescentes brancos enraivecidos, “pessoas de bem”, movidas cegamente por medo e racismo.

Assim que Bridges entrou na escola, os pais brancos tiraram seus filhos de lá, alegando que elas só voltariam quando a menina negra saísse. Todos os professores se recusaram a ensinar enquanto ela estivesse matriculada. Apenas Barbara Henry, de Boston, Massachusetts, concordou em ensinar Ruby e por mais de um ano Henry a ensinou sozinha

Mas chegar e sair da escola não foi um desafio só no primeiro dia de aula. Os protestos na rua eram constantes e recheados de violência física e psicológica. Era uma mulher branca que protestava do lado de fora com um caixão de criança coberto por uma camisola negra, outra com um crucifixo que prometia envenenar a menina, outros ainda que atiravam objetos em seu corpo, gritavam palavras pesadas, desrespeitosas...

Era só uma criança de seis anos. Uma criança um pouco mais nova que o meu filho...

Sua família foi perseguida, o pai e os avós que trabalhavam em uma fazenda perderam os empregos.

Mas nem tudo foi o pior do que a humanidade pode demonstrar. Pessoas escoltavam a escolta policial para garantir sua segurança e ofertaram ao seu pai um novo emprego. Muitos outros na comunidade, tanto brancos como negros, mostravam apoio de várias maneiras. Algumas famílias brancas continuaram a mandar seus filhos para Frantz apesar dos protestos, um vizinho arrumou um novo emprego para seu pai, e as pessoas locais vigiavam sua casa.

Era apenas uma criança... um pouco mais nova nova que o meu filho...

A criança cresceu, seu exemplo se tornou uma chama para que mais pessoas no mundo ousassem  lutar. 

Em 2001 o Presidente Clinton laureou Ruby com a Presidential Citizens Medal. Em 2005 ela também perdeu sua casa com a passagem do furacão Katrina. Em 2011 o Presidente Obama teve a Honra de conhecer Ruby Bridges, na inauguração de uma Obra em sua homenagem e disse a ela em agradecimento: "Eu acho que é justo dizer que, se não fosse por você, eu poderia não estar aqui e nós não estaríamos olhando para isso juntos".

Em 2014, uma estátua de Bridges foi erguida no pátio do William Frantz Elementary School, escola que frequentou apenas por sua força de vontade.

Bridges, atualmente Ruby Bridges Hall, ainda vive em Nova Orleans com o marido, Malcolm Hall, e seus quatro filhos. Durante quinze anos, ela trabalhou como agente de viagens, mas deixou o trabalho para ser mãe. Atualmente, Bridges é presidente da Fundação Ruby Bridges, fundada em 1999 para promover "os valores da tolerância, do respeito e valorização de todas as diferenças." Descrevendo a missão do grupo, ela diz, "o racismo é uma doença e temos de parar de usar nossos filhos para espalhá-la."


Da Redação Com informações de http://primeirosnegros.blogspot.com/ e https://pt.wikipedia.org/wiki/Ruby_Bridges


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