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Disputa entre Macri, Cristina e 'terceira via' deve marcar eleição na Argentina em outubro; entenda

Mundo | 14/05/2019 | 09:10 |
| Fotos: Reuters/Agustin Marcarian |
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Os dois nomes que lideram as pesquisas para a eleição de outubro na Argentina são o atual presidente, Maurício Macri, e sua antecessora, Cristina Kirchner. Mas há um outro nome que, apesar de aparecer em terceiro nas sondagens do 1º turno, derrotaria qualquer um desses dois no 2º turno: Roberto Lavagna.

Kirchner tem liderado as pesquisas. Tem 35,3% das intenções de voto, contra 30,8% do atual presidente, de acordo com levantamento da Synopsis feito entre 3 e 4 de maio.

Para analistas políticos, eles têm algo em comum: terão que fazer mais concessões a aliados do que estão acostumados e precisam atrair parte do eleitorado que é antipática a eles se quiserem chegar à Casa Rosada.

A força eleitoral de Lavagna tem origem em parte na exaustão que os argentinos sentem em relação Cristina e Macri.

Nas simulações de segundo turno da Synopsis, ele derrotaria a ex-presidente por 55,5% a 45,5% dos votos úteis. Se Lavagna concorrese com Macri, sairia vitorioso por 61,3% contra 38,7%.

Macri questionado

Maurício Macri é mal avaliado por 54% dos argentinos, de acordo com a Synopsis.

Eleito em 2015 por uma coligação de seu próprio partido de centro-direita, o PRO, com a União Cívica Radical (UCR), um grupo tradicional que ocupa o mesmo campo ideológico, ele também vai precisar reunir mais gente.

As circunstâncias agora são diferentes, diz Alejandro Echegaray, da UCR. “Podemos ter uma candidatura própria ou nos aliarmos, mas, para muitos radicais, isso não tem funcionado.”

A União Cívica Radical deverá tomar sua decisão este mês. “Há uma discussão sobre uma possibilidade de mais quatro anos de ajustes, mas não temos nenhuma vontade de voltar ao passado populista”.

O nome da governadora da província de Buenos Aires, Maria Eugenia Vidal, do mesmo partido de Macri, tem sido testado em pesquisas.

Macri está mal, e seus apoiadores estão tensos, segundo Maria Esperanza Casullo, cientista política da Universidad Nacional de Rio Negro, que recentemente publicou um livro sobre populismo.

“Dentro da coalizão, há um clamor forte para que Vidal seja a candidata, e empresários falam isso também. Macri é o presidente e o líder desse espaço político, ele não tem interesse nenhum em desistir, isso seria uma confissão de derrota.”

Cristina acena ao empresariado

Cristina não anunciou sua candidatura ainda.

A ex-presidente é senadora, o que lhe garante foro privilegiado para responder aos processos criminais que enfrenta.

Em um dos que estão mais avançados, ela é suspeita de ter liderado uma organização que recebia subornos de empresários do setor da construção em troca de contratos de obras públicas.

Esse caso, conhecido como "cadernos do suborno", tem como evidência principal as anotações feitas por um motorista do Ministério do Planejamento durante os anos de presidência de Cristina. Elas descrevem pagamentos ilegais, com datas e valores, que esse ex-funcionário diz ter feito em nome de terceiros.

A ex-presidente também é acusada de lavar dinheiro de propina –a política e seus filhos são sócios de uma empresa corretora de imóveis, que, para promotores argentinos, servia para esse propósito.

Ela lançou um livro de sua autoria, “Sinceramente“, na quinta-feira (9) e fez um discurso na Feira do Livro de Buenos Aires. Não citou o nome de nenhum oponente, mas fez alusões a eles.

Cristina tem se esforçado para atrair não-kirchneristas. Em eleições para governos estaduais, ela apoiou candidatos que não eram seus aliados quando ela esteve no governo. Em discursos e aparições públicas, fala da importância de um mercado interno pujante, em acenos a uma parte do empresariado.

“Não há possibilidade de gerar crescimento sem um mercado interno forte. Diziam-nos que não poderíamos esquentar a economia, e vejam os Estados Unidos, voa. Seria bom que aqueles que tanto viajam para lá escutassem o que dizem lá e imitassem”, disse ela na quinta (9).

“Ela tem um terço do eleitoral, é a parcela que não precisa ser convencida a votar nela. A situação econômica ruim da Argentina e o desencantamento com Macri a ajudam, mas, ainda assim, o apoio que tem hoje é insuficiente para levá-la à Casa Rosada”, afirma Rafael Gentili, presidente do Laboratório de Políticas Públicas.

O terceiro elemento

Roberto Lavagna aparece nas pesquisas com 13,1% das intenções de voto no primeiro turno.

Ele não é o único que pretende se candidatar como uma pessoa alheia à polarização política dos últimos anos, mas é o que tem mais chances.

Lavagna foi ministro de Néstor Kirchner, mas trabalhou em governos de presidentes da União Cívica Radical.

Seu desafio, por ora, é convencer representantes de grupos muito distintos a apoiar seu nome: membros da esquerda não ligada à Cristina e da centro-direita insatisfeita com Macri.

Os números de Lavagna são a principal novidade das pesquisas, mas ele não é o favorito, diz o cientista político Gentili.

“Cerca de um terço do eleitorado é kirchnerista, e outro terço, macrista. Há, portanto, 40% dos votos que buscam uma outra via. Roberto Lavagna aspira ser esse nome, mas ele está longe, no melhor dos cenários, tem 20% dos votos”, afirma Gentili.

Outros políticos que também pretendem ser a “terceira via” nessas eleições querem que o escolhido saia de uma votação primária, e Lavagna, por enquanto, tem resistido.

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